De volta a casa, a aprender a confiar no tempo ⏳
De volta a casa, calcei novamente as meias de contenção. Achei melhor usá-las por mais uns dias. Tentei descansar. Dormi cerca de hora e meia. Mais tarde, a noite foi difícil. Dormi pouco. De costas, com uma almofada debaixo do braço.
A dor de garganta continuava. Talvez tenha sido da entubação, dizem que é normal. Ou talvez tenha apanhado frio no bloco 😞
O braço e a mão estavam dormentes, mas pelo menos não doíam.
De manhã, pedi ao meu marido para verificar se estava tudo bem com os pensos: um grande por cima da mama, na zona do mamilo, creio que foi por aí que retiraram o tumor. Outro debaixo da axila, onde tiraram os gânglios 🩹🩹
No hospital tinham-me dito para não molhar os pensos, e assim farei. Por agora, fico-me por uma higiene mais básica. Comprei também toalhitas WaterWipes, são quase só água e têm-me ajudado a sentir-me um pouco mais fresca.
Comecei a medicação para as dores: de 8 em 8 horas, alternando entre paracetamol 1000 mg e outro analgésico mais forte 💊💊
Mais uma noite difícil. Dor na omoplata. Dormência persistente no braço e na mão. Garganta ainda a doer. Comia, mas sem grande apetite. Continuava a abrir e fechar a mão várias vezes ao dia, mas evitava mexer o braço. Disseram-me para ter cuidado. E tenho.
Na quinta-feira, dia 5 de junho, senti a dormência a alastrar até à axila. Comecei também a sentir ardor na parte interior do braço e, de vez em quando, uma espécie de “corrente elétrica” a atravessar o braço. Notei também que estava a perder um pouco de sensibilidade na mão esquerda 😲
Sabia que o mais importante era não ter febre e garantir que o braço ou a mão não inchavam ou mudavam de cor. Mas esta dormência a aumentar deixou-me preocupada.
Como tinha o número direto do serviço de cirurgia, liguei. Expliquei a situação. A senhora que me atendeu sugeriu que fosse às urgências, só para garantir que estava tudo bem. Pensei que talvez fosse melhor ligar antes para o SNS 24. A enfermeira com quem falei também achou que era melhor ser observada.
Pouco depois de chegar às urgências do hospital, fui chamada para a triagem. A enfermeira disse que ia pedir ao serviço de cirurgia para me examinarem, já que não havia ninguém de oncologia nesse dia. Quando fui chamada, a médica que me tinha dado alta ficou surpreendida por me ver de novo.
Expliquei-lhe o que sentia. Examinou-me: os pensos, a mama, o braço. Disse-me que tudo estava normal, que não me preocupasse e que falasse com a médica na consulta marcada para dia 9 de junho.
Saí de lá a pensar: “Vim para nada.” 🤷🏻♀ Mas, quando há dúvidas, é sempre melhor verificar. O medo é novo nisto tudo, mas tem um peso enorme 🥲
Sábado, 7 de junho. Cinco dias desde a cirurgia. Continuo com a dormência da mão até à axila, ardor ocasional no braço e essas “correntes elétricas” que vêm e vão. Alguma dor ao toque, na axila e na mama. Mas, afinal, segundo relatos de outras mulheres, tudo isto é normal. O corpo foi ferido e precisa de tempo para se reconstruir. Tenho de aprender a dar-lhe esse tempo.
A boa notícia: a dor de garganta passou. E consegui encontrar uma posição melhor para dormir, de lado, meio sentada, sempre com uma almofada por baixo do braço operado. Dormir a noite toda? Não. Mas consigo descansar. E isso já é muito.
Ontem fui à cabeleireira lavar o cabelo. Enquanto precisar, continuarei a ir. Soube tão bem.
No carrinho ao lado, o bebé da cabeleireira, 9 meses, um fofinho. É bom lembrar que a vida continua. E que a vida, mesmo entre dores, dormências e medos, ainda é bonita 😊
Partilho esta imagem para quem estiver a passar pelo mesmo e quiser ver como é, sem filtros.
Obrigada por estarem desse lado 🙏❤️
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