A biópsia: dor, espera e um abraço 😭
Um pouco antes das 10h, cheguei para fazer o exame que iria, muito provavelmente, definir os próximos meses ou até anos da minha vida.
Fui chamada pouco depois. Pediram-me os exames, e entreguei a mamografia e a ecografia feitas na minha cidade. A senhora perguntou se tinha o CD. Respondi que não.
Pouco depois, voltou a chamar-me: a médica precisava da mamografia em CD. Como não o tinha, disseram que teria de fazer uma nova mamografia 🫣
Fiquei contrariada. Desde que deixei de tomar a pílula, em fevereiro, os meus seios estavam muito sensíveis e sabia que o exame ia ser doloroso. Mas não tive escolha.
Terminei por volta das 10h35 e voltei para a sala de espera, convencida de que seria chamada rapidamente para a biópsia.
Mas o tempo passou… e ninguém dizia nada 🕚
Caminhava de um lado para o outro, ansiosa. Uma hora depois, encontrei de novo a mesma senhora, que me explicou que tiveram de preparar três pessoas para cirurgia e que o atraso se devia a isso. Respondi que, enquanto não se esquecessem de mim, estava tudo bem.
A espera só aumentava o nervosismo.
Já passava do meio-dia quando me chamaram. Entrei num gabinete onde uma médica observava a nova mamografia num grande ecrã.
Chegaram duas outras pessoas, provavelmente enfermeiras, e começaram a preparar o material.⠀
A médica pediu-me para me despir da cintura para cima e deitar.
Fez nova ecografia: à mama esquerda (onde estava o nódulo), à direita e às axilas.
Pressionava bastante e cada toque doía. Sofria em silêncio 😔
Questionou uma das senhoras sobre algo que se via na mama direita. Chegaram à conclusão de que seria um nódulo de gordura.
A certa altura, perguntou-me se sabia por que estava ali. Disse que sim, para fazer uma biópsia à mama esquerda.
E então disse:
- Vou picar. 💉
Tinha lido que o pior era a anestesia e que o resto não custava. A picada inicial não me doeu. Fiquei aliviada… mas estava enganada.
Mal injetou o líquido, fez logo a incisão para introduzir a agulha grossa. Doía imenso. Senti tudo. Confesso que fiquei surpreendida que a médica não tenha esperado um pouco, para que a anestesia fizesse efeito.
Apetecia-me gritar. Saiu-me apenas um som de dor, a ver se a médica me dava mais anestesia. Mas não.
Ouvi um som metálico, tipo agrafador, e perguntei se era normal. A médica disse que sim.
Uma enfermeira perguntou se eu estava bem. A médica respondeu por mim:
- Ela podia estar melhor.
Eu confirmei com a cabeça.
A enfermeira olhou-me com empatia. Tentou distrair-me, perguntando onde vivia, se tinha filhos…
A médica continuava: introduzia a agulha, recolhia o fragmento, colocava-o no frasco com líquido. Eu continuava cheia de dores e com vontade de chorar 😭
Na penúltima punção, ela viu que eu ainda sofria e perguntou:
- Doeu?
Disse que sim.
Ela respondeu que não percebia porquê, mas que faltava apenas uma amostra. Só nessa última é que não senti dor.
Quando tudo terminou, olhei para aquela máquina que me tinha feito sofrer tanto.
A enfermeira desinfetou a mama, colocou dois pequenos pensos e um maior por cima, dizendo que poderia retirá-lo no final do dia seguinte. 🩹
Recomendou: gelo, gelo e mais gelo 🧊🧊
Ajudou-me a pôr o soutien e colocou dentro dele um cubo de gelo enrolado numa compressa.
Perguntei quanto tempo demorariam os resultados. Com a Páscoa pelo meio, disseram: três a quatro semanas. Uma eternidade.
Saí do gabinete em estado de choque. O meu marido esperava-me. Corri para o abraçar, as lágrimas a escorrer-me pela cara:
- Doeu tanto.
Chorava sem parar. Pedi a um funcionário um copo de água para tomar o paracetamol.
Fiz o caminho até ao metro a chorar 😭😭
As pessoas olhavam para mim nos corredores, talvez pensassem que tinha recebido uma má notícia, ou que alguém tinha morrido.
Mas não me importava. Precisava mesmo de libertar tudo o que estava a sentir.
Obrigada por estarem desse lado 🙏❤️
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