Falar com as pessoas mais próximas 🥹
Falar com as pessoas mais próximas sobre o que me estava a acontecer é talvez das coisas mais difíceis 🥹
Quando soube do nódulo, falei quase de imediato com a minha filha. Talvez por ela viver fora, talvez porque falamos todos os dias ao telefone ou talvez porque era impossível esconder algo que me ocupava todos os pensamentos 🤷🏽♀️
A resposta dela foi inesperada:
- Pelo menos, se tiveres de tirar uma mama, ainda sobra a outra para o pai! Desatei a rir com aquela frase 😁
E no fundo, ela tinha razão. Com a idade que tenho, ficar sem uma mama não era o mais importante. O que importa, o que verdadeiramente conta, é viver ☺️
Em relação ao meu filho, precisei de mais tempo ⏳️
Esperei até me sentir preparada. Quando finalmente consegui, liguei-lhe. Falei com ele e também com a namorada dele. Disse-lhe o que se passava, e a ela, pedi que fizesse exames de rotina com regularidade. Porque, infelizmente, cada vez mais mulheres jovens enfrentam esta doença 🎗
Não foi fácil contar esta notícia ao telefone. Não lhe vi a cara. Não vi a reação dele 🙄
Evitei uma videochamada porque tinha medo de chorar. Pelas palavras que disse, pareceu-me tranquilo. Mas será mesmo❓️
Por um lado, queria guardar isto só para mim até saber o resultado da biópsia. Por outro, sabia que ia precisar de apoio 🫂
Acabei por contar a várias pessoas da família e também às minhas amigas que vivem que vivem na Suíça, na Bélgica e até no Canadá ❤️
Mas havia duas pessoas com quem sabia que não iria falar sobre esta possibilidade de ter cancro da mama.
A primeira, a minha querida mãezinha, que sofre de Alzheimer.
Não fazia sentido fazê-la sofrer. Se soubesse, ia ficar triste e pouco depois, esquecer-se-ia.
Dói não ter o apoio da nossa mãe num momento assim. Dói muito 😭 Mas achei que não valia a pena magoá-la inutilmente.
A segunda pessoa era a minha tia, que também é minha madrinha. Ela teve um cancro da mama, há quase 40 anos 🎗 Foi uma luta muito dura.
Se o diagnóstico se confirmar, serei a terceira sobrinha com esta doença. E sei que ela vai sentir que a culpa é dela, que nos passou isto, mesmo que não seja verdade.
Tenho uma prima de quem gostava muito, que perdeu a vida com um cancro da mama 🥹 Lutou durante um ano e meio.
Antes de morrer, fez o teste genético. Quando teve o resultado, ligou-me. Queria que eu soubesse, achava que era importante para mim e para a minha filha.
O teste deu negativo. E mesmo depois de eu ter dito isso à minha tia, ela continua a sentir-se culpada 😔
Mas não devia. Pelo que li, em Portugal apenas 5% a 10% dos cancros da mama são considerados genéticos ou hereditários 🧬
Por tudo isso, decidi que vou esperar pelo resultado da biópsia para falar com ela.
Em relação à minha segunda prima que também enfrentou um cancro da mama, enviei-lhe uma mensagem e ela aceitou, com generosidade, partilhar comigo a sua história. Felizmente, no caso dela, foi detetado numa fase precoce. Tal como o meu…
Obrigada por estarem desse lado 🙏❤️
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